CORONAVÍRUS x ATIVIDADE CIRÚRGICA

por Prof. Dr. Miguel Nácul

Atividade cirúrgica e a epidemia causada pelo CORONA VÍRUS (COVID-19) 

Entidades médicas e hospitais têm orientado os médicos em relação ao COVID-19 (Corona Vírus). Os exemplos dos outros países mostram que o confinamento e a diminuição à exposição pública, além da higiene pessoal são as melhores ferramentas que temos para diminuir a disseminação em grande escala. Aparentemente, a prevenção através da diminuição da circulação de pessoas diminui (ou atrasa) a disseminação do vírus que possui alta transmissibilidade.


Nos últimos dias várias informações preciosas, e normativas de vários secretários estaduais de saúde, bem como do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nos orientam a nos preparar para um aumento exponencial dos casos, com consequente crescimento das demandas de tratamento, diagnóstico e eventualmente internações dos casos mais graves. O grande problema é a ocorrência de um pico muito grande de pessoas infectadas que gere uma sobrecarga nos serviços de saúde, em especial em Unidades de Terapia Intensiva. Assim, decisões devem ser tomadas em relação a procedimentos não emergenciais. Neste sentido, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, maior associação médica na área cirúrgica, enviou nota aos seus membros.


Basicamente, a nota reitera que a epidemia pelo Corona vírus é séria, real e, numa frequência menor, grave com morbidade alta. O CBC ressalta que, até o presente momento, a orientação é de que devemos postergar a prática de cirurgias eletivas, ou minimizá-las ao máximo. Pacientes oncológicos e com necessidade de realização de cirurgias cardíacas devem ter a preferência para a realização dos seus procedimentos. Os pacientes idosos, e/ou com comorbidades que podem afetar significativamente a sua recuperação devem ter suas cirurgias postergadas, a não ser nos casos exemplificados anteriormente.


Todos nós devemos seguir as orientações das nossas secretarias estaduais e municipais de saúde, pois o país é muito heterogêneo tanto na sua estrutura como na realidade desta epidemia. Estas orientações devem ser analisadas tanto para pacientes públicos quanto privados, porém é lógico que cada realidade terá uma interpretação particular das ações.

O American College of Surgeons no último dia 13 de março, publicou uma orientação similar. Esta é a linha que os cirurgiões no mundo inteiro estão seguindo.


No presente momento, evitar que pessoas “sadias” (que podem receber ou transmitir o vírus – portadores assintomáticos) circulem em um hospital tanto para procedimentos cirúrgicos eletivos ou mesmo para consultas parece ser a melhor conduta. A crise vai passar e a rotina se reestabelecerá de forma tranquila provavelmente dentro de no máximo 90 dias, considerando que ainda não alcançamos o pico de disseminação da doença. Mantenham-se bem informados!