A IMPORTÂNCIA DAS LIGAS ACADÊMICAS NA FORMAÇÃO DOS MÉDICOS

por Prof. Dr. Miguel Nácul

Em um universo de mudanças curriculares, medicina baseada em evidências, metodologias ativas, aprendizagem baseada em problemas, acoplamento das disciplinas básicas às clínicas, talvez a maior revolução no ensino da medicina venha da criação das ligas acadêmicas.  

As ligas acadêmicas são associações sem fins lucrativos que buscam complementar a formação do aluno, funcionando como uma estratégia extracurricular. O objetivo é promover um aprofundamento teórico-prático das atividades aprendidas em sala de aula, promovendo o senso crítico do acadêmico e também o raciocínio científico, agregando valor ao seu conhecimento. Com tempo indeterminado de duração, as ações são voltadas para a educação relacionada ao tema de estudo. Os temas trabalhados são relacionados ao que é estudado em classe. Normalmente, apresentam os objetivos detalhados abaixo (sendo que cada instituição de ensino pode ter mais de uma liga acadêmica por curso):

Ensino: realizar reuniões e aulas sobre o assunto relacionado;

Pesquisa: estudar o tema, escrever artigos científicos, fazer banners e apresentar os dados em eventos;

Extensão: atender à comunidade nos eventos, colocando em prática os conhecimentos adquiridos;Laboratorial: coletar dados e analisar as amostras coletadas.

Essas atividades envolvem trabalhos voluntários, treinamentos, reuniões científicas, seminários, encontros e demais tipos de eventos. Como a ideia é aprofundar os conhecimentos teóricos e publicar artigos científicos, é importante ter um professor como coordenador para nortear os estudos, que envolvem a teoria, mas também a prática.


Cada instituição costuma ter as suas próprias regras e normas para a composição e objetivos das ligas, bem como o calendário de atividades a serem realizadas durante o ano letivo. Contudo, em regras gerais, cada uma deve apresentar pelo menos um trabalho científico e a prestação de serviços à comunidade.


Como o próprio nome sugere, as ligas acadêmicas são entidades criadas por alunos, professores e profissionais que apresentam interesse no tema abordado. A primeira delas surgiu no Brasil em 1920 — a Liga de Combate à Sífilis, que desenvolve projetos até hoje. Porém, apenas décadas mais tarde, a partir dos anos 1960/70, foi quando ocorreu um maior interesse dos acadêmicos em aprofundarem seus conhecimentos intelectuais teórico-práticos, resultando na criação de novas ligas. Como exemplo, somente na Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Porto Alegre, RS existem 54 ligas. Especificamente na área cirúrgica podemos citar: cirurgia, cirurgia plástica, cirurgia vascular, cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia cardiovascular, cirurgia torácica, coloproctologia, neurocirurgia, pesquisa cirúrgica, trauma e urologia. De certa forma, a criação das ligas formaliza as antigas ações individualizadas dos alunos ao longo do seu curso, de vinculação com departamentos ou serviços por interesse e projeção profissional. 


Investir em atividades extracurriculares e complementares é um grande diferencial na vida acadêmica. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) reconhecem a prática das atividades da liga acadêmica e incentivam essas ações nas entidades de ensino, porque agrega conhecimento e valor à vida do estudante. Esse incentivo e sugestão parte do princípio de que a grade curricular dos cursos de graduação não é o suficiente para que o formando saia preparado para lidar com o mercado de trabalho. Isso acontece em todas as áreas de ensino. Por isso, há grande valor e prestígio pelos membros das ligas que, além da graduação, investem os seus conhecimentos extraclasses para aprender a teoria e, principalmente, a prática. Assim, fica muito mais fácil ingressar no mercado de trabalho estando preparado para atender às demandas da sociedade. Investir em ligas é importante tanto para o aluno, que sai graduado com grande bagagem e conhecimento, quanto para a comunidade, que se beneficia com as pesquisas e os eventos.


As ligas acadêmicas têm um importante papel na criação e organização de eventos. As ligas são uma das maiores realizadoras de eventos nas universidades. Eles podem ser criados tanto para os alunos e público interno da instituição de ensino, entre as ligas acadêmicas de outros cursos ou localizações, quanto para a comunidade em geral. Em 2019 tive a oportunidade de participar de um congresso de ligas acadêmicas da cirurgia, realizado no Campus da PUC, RS, com grande número de participantes, interessados e questionadores, além de muito bom nível científico. 


Um acadêmico em uma Faculdade de Medicina que busca por diferenciais no seu curso de graduação, com certeza já deve ter se deparado com as Ligas Acadêmicas. Dentre as atividades extracurriculares, as Ligas podem ser consideradas uma das mais completas. A participação em ligas se tornou um grande diferencial no currículo acadêmico de inúmeros estudantes.

Outro importante benefício associado às ligas é a oportunidade de contato com a comunidade local. Através de suas atividades, as ligas na área médica ajudam a promover a saúde e a transformação social, visando o bem-estar da população. 

Quem participa das ligas consegue ampliar seu senso crítico e o raciocínio científico. Então, se o aluno  quer novas experiências durante o curso de graduação, deve procurar informações sobre as Ligas Acadêmicas na sua Faculdade. 

O Instituto Simutec tem realizado vários eventos de treinamento prático baseado em simulação ao longo dos últimos anos em parceria com diferentes ligas acadêmicas, em especial, das áreas cirúrgicas.



Referenciashttps:

//www.pucrs.br/medicina/amplie-sua-formacao/ligas-academicas/

https://doity.com.br/blog/liga-academica-o-que-e/#:~:text=As%20ligas%20acad%C3%AAmicas%20surgiram%20no,complementar%20a%20forma%C3%A7%C3%A3o%20do%20aluno.

https://unifaminas.edu.br/conteudo/detalhe/146/ligas-academicas-por-que-elas-sao-tao-importantes-para-o-curriculo