10 armadilhas que os médicos devem evitar nas redes sociais (parte 1)

por Prof. Dr. Miguel Nácul

10 ARMADILHAS QUE OS MÉDICOS DEVEM EVITAR NAS REDES SOCIAIS – PARTE 1
 
Texto adaptado por Dr. Miguel Nácul de Medscape Physician Business Academy course, Doctors and the Internet: Boost Your Reputation and Career (https://www.medscape.com/viewarticle/923452).Autor do texto original: Michael Woo-Ming, MD, MPH - CEO da BootstrapMD, consultoria de negócios para médicos, especializada em marketing digital; e proprietário da Executive Medical em San Diego, California. 

Alguns médicos ficam longe das mídias sociais porque vêem inúmeros riscos em potencial. Em verdade, os médicos em particular são vulneráveis ​​nas mídias sociais. Eles enfrentam restrições estritas à privacidade do paciente, a necessidade de apresentar informações médicas absolutamente corretas e a pressão para apresentar uma imagem pública que está acima da censura. No entanto, essas preocupações não significam que o médico deva simplesmente desistir das mídias sociais. Significa que o médico necessita entender os riscos específicos e tomar medidas contra eles.  Com as mídias sociais, mais do que nunca, as pessoas precisam exercer discrição. O médico pode supor que toma precauções usando o bom senso. No entanto, nem sempre o bom senso conduz a lógica no mundo da internet. O médico deve investir um momento para pensar nas implicações que uma ação equivocada, mesmo bem intencionada, pode gerar.

Aqui estão algumas das armadilhas comuns da mídia social para os médicos: 

1. Não reconhecer a natureza viral das mídias sociais
 
A mídia social funciona como um megafone. Pode amplificar um comentário disperso em muitos canais, tornar-se viral e de repente atingir dezenas de milhares de pessoas. Qualquer erro ou declaração incorreta pode ser muito difícil de apagar.
 
2. Violar a privacidade dos pacientes
 
A ênfase das mídias sociais em ser transparente e pessoal oferece muitas oportunidades para a privacidade de um paciente ser violada. As situações de risco incluem a discussão de um caso de um paciente com os colegas, destacando situações e postando fotos onde o rosto ou as informações do paciente aparecem inadvertidamente em segundo plano. Mesmo sem nenhuma identificação óbvia, um paciente pode ser identificado quando associado a um acidente incomum, uma condição rara ou a admissão em um determinado hospital ou unidade. Quando os médicos compartilham imagens radiológicas ou amostras dermatológicas de pacientes, devem remover toda a identificação, incluindo observações escritas, marcas de nascença, cicatrizes, tatuagens, jóias e ambientes únicos. Se você deseja identificar seus pacientes para fins de marketing ou outros, precisará do consentimento por escrito. O formulário de consentimento deve incluir o objetivo da identificação, quem está autorizado a fazê-lo e quando, informações sobre o direito do paciente de revogar a autorização e a assinatura do paciente. Peça a um advogado que aprove a redação.
 
3. Resposta às solicitações de "amizade” na rede por parte de pacientes
 
Ocasionalmente, os pacientes enviam solicitações de amizade no Facebook a seus médicos, e os médicos podem se arrepender de recusá-los. Afinal, ter um relacionamento positivo com o seu médico promove a confiança, incentiva a adesão ao tratamento e pode até ajudar na cura. Mas ter um paciente em sua página pessoal do Facebook nunca é uma boa ideia. Na sua página, eles podem alcançar qualquer pessoa em sua rede de amigos, visualizar suas fotografias pessoais ou ler seu blog pessoal. Esses pacientes também podem começar a pedir aconselhamento médico, o que pode levar a uma violação ética. Ou talvez possam procurar um relacionamento romântico que, se não for interrompido, poderá levar a uma ação disciplinar por sua junta médica.A solução é configurar duas páginas no Facebook: uma que seja privada para sua família e amigos e outra que seja profissional para seus pacientes e o público em geral. Você pode tomar medidas semelhantes em outras mídias sociais, como Twitter e Instagram.

4. Aconselhamento médico específico aos pacientes
 
Quando as pessoas respondem às suas postagens fornecendo conselhos gerais sobre tratamento, geralmente perguntam sobre seu próprio caso específico. Nunca é aconselhável responder a essas perguntas. Sua resposta e as mensagens subsequentes podem se tornar uma violação ética. Também é possível que sua resposta possa formar a base legal de um relacionamento médico-paciente. Se o paciente achar que seu conselho levou a algum ferimento, você poderá ser processado por negligência. Quando os pacientes pedirem conselhos específicos, sugira que eles visitem o consultório. Você também pode adicionar ao seu blog uma declaração padronizada de que não abordará problemas específicos de atendimento ao paciente por meio das mídias sociais.
 
5. Publicando comportamentos não profissionais
 
Em suas páginas do Facebook, alguns médicos deixam comentários e fotos que os mostram sob uma luz não profissional, sem pensar nas consequências. Eles não parecem perceber que pacientes, empregadores e empregadores em potencial poderiam ver essas postagens. A melhor solução é simplesmente parar de postar esse material. No entanto, mesmo fotos bastante inocentes de um médico segurando uma lata de cerveja em uma reunião profissional ou passeando na praia durante as férias podem provocar reações desfavoráveis​​em alguns pacientes. A resposta, novamente, é ter uma página pessoal separada da sua página profissional. No Facebook, você também pode ajustar suas configurações de privacidade, o que permite o compartilhamento com apenas um pequeno grupo de amigos. Mas lembre-se de que as configurações de privacidade geralmente podem ser porosas.