Os desafios da Telemedicina

por Viva Comunicação

A utilização da telemedicina para o atendimento de pacientes virou tema de debate nacional após a publicação em 07 de fevereiro da resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) no 2.227/18 que buscava normatizar a sua utilização no Brasil. A normativa foi revogada alguns dias depois após reação de entidades de classe que alegaram pouca transparência e tempo para a discussão do tema. Colaborou muito para isto reportagem veiculada pelo programa “Fantástico” da Rede Globo um dia antes da publicação da resolução. A resolução do CFM autorizava consultas, diagnósticos e outros atendimentos à distância por telemedicina a partir de maio deste ano. Até a elaboração de um novo parecer, permanece válida a regulamentação anterior, de 2002, que libera apenas as videoconferências durante procedimentos para obter o suporte de colegas especialistas, sempre com a presença de um médico.

Conceitualmente, a Telemedicina é o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde. A telemedicina já é utilizada há muitos anos no país e no mundo. No entanto, a evolução tecnológica cria possibilidades muito maiores de atuação. Por isto, a preocupação e necessidade da regulamentação da sua utilização no sentido de que não se permita o uso inadequado e indiscriminado destas tecnologias no atendimento a pacientes e a quebra na fundamental relação médico-paciente, base da atividade médica. Os serviços de telemedicina jamais poderão substituir o compromisso constitucional de garantir assistência integral e universal aos pacientes.

As vantagens da telemedicina são muitas, como a constante inovação e o desenvolvimento de tecnologias de comunicação, que facilitam o intercâmbio de informação entre médicos e entre estes e os pacientes. Este fato pode gerar um aumento na qualificação do atendimento, melhora do treinamento médico e de profissionais da área da saúde, segurança maior aos pacientes, disseminação do conhecimento e expansão dos atendimentos na área da saúde.

A despeito das consequências positivas da telemedicina existem muitos preceitos éticos e legais que precisam ser assegurados, em especial aqueles relacionados a relação médico-paciente. A Telemedicina deve favorecer a relação médico-paciente. Além disso, deve ser utilizada com padrões de segurança na transmissão de informações.

Profissionais especializados treinados em ambientes de simulação em realidade virtual, certamente terão mais condições de exercer a Telemedicina em função da qualidade do treinamento e pela familiaridade com o ambiente virtual e as tecnologias utilizadas para tele-transmissão. Vale destacar que todas as especialidades na área da saúde se encaixam em diagnóstico e tratamento através da Telemedicina. A possibilidade de realização de cirurgias a distância com o uso de uma ferramenta robótica - talvez a mais complexa das questões que envolvem a polêmica da Telemedicina - seja a mais interessante e desafiadora função a ser desenvolvida, com um potencial simplesmente espetacular de atuação. Assim, as especialidades cirúrgicas terão uma ferramenta poderosa de atuação através da telecirurgia, a realização de procedimento cirúrgico remoto, mediado por tecnologias interativas seguras, com médico executor e equipamento robótico em espaços físicos distintos. No entanto, a telecirurgia somente
poderá ser realizada em infraestrutura adequada e segura, com garantia de funcionamento de equipamento, largura de banda eficiente e redundante, estabilidade do fornecimento de energia elétrica e segurança eficiente contra vírus ou invasão de hackers. A equipe médica principal deve ser composta, no mínimo, por médico operador do equipamento robótico (cirurgião remoto) e médico responsável pela manipulação instrumental (cirurgião local), ambos muito bem treinados em cirurgia, videocirurgia, cirurgia robótica e nas plataformas, além de certificados pelas entidades representativas.

As novas perspectivas de atuação médica que a telemedicina e outras tecnologias nos trazem geram a necessidade da classe médica buscar se especializar ainda mais, e para tanto, existem cursos como os oferecidos pelo Instituto Simutec, de Porto Alegre. Treinamentos através da simulação aumentam a qualidade, efetividade e segurança no diagnóstico e tratamento nas áreas de atuação, diminuindo o custo do atendimento. A expansão do uso da Telemedicina determinará novas formas de treinamento e a possibilidade de fazê-lo também a distância, o que também vem sendo utilizado. Como instituição de ensino de ponta, certamente o Instituto Simutec liderará esta área.

Professor Dr. Miguel Nacul
Médico especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (SOBRACIL), e coordenador médico do Instituto Simutec.